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Botos

   
 

Mamíferos Marinhos:

Botos

Como os golfinhos, também são mamíferos e assim sendo, são nossos "parentes". O boto também é um tipo de golfinho, mas não como erroneamente pensam alguns, que viva somente nas águas dos rios. Há espécies de água salgada e há outras de água doce. Muitos possuem os olhos atrofiados por viverem em um ambiente cujas águas são escuras ou barrentas. Por isso mesmo, ao invés de uma visão aguçada, a natureza preferiu desenvolver-lhes o sonar que é um sistema muito mais perfeito do que a visão pois este baseia-se na eco-localização, permitindo que os botos construam em seus cérebros (maiores que os dos humanos em relação ao tamanho do corpo), imagens em terceira dimensão do ambiente externo, permitindo assim que localizem suas presas e tenham noção do ambiente com extrema facilidade e precisão.

Vivem nas águas fluviais e mares no Brasil e também em outros rios e mares do mundo. Há botos misteriosos e atualmente correndo alto risco de extinção nos rios da Índia e da China. Aqui no Brasil, existem os conhecidos Tucuxi e o Boto - cor-de-rosa, responsáveis pela existência diversas lendas e muitas crendices, as quais muitas vezes, infelizmente, por pura ignorância e atraso (como as de que os olhos e os órgãos sexuais do animal podem servir de amuletos), colocam a sobrevivência dessas espécies em risco. Hoje em dia, qualquer ataque aos botos é tratado como crime ambiental regulado por Lei Federal e punido com severo rigor. Abaixo, você encontrará algumas espécies.

Boto Tucuxi (Sotalia Fluvitalis)

Primeiramente descritos por Gervais em 1853, o boto Tucuxi se parece muito com o golfinho flipper de água salgada, contudo é de tamanho bem menor. Vivaz e brincalhão, vive dando saltos nas águas; verdadeiro espetáculo para quem os observa. Muito confundido com o outro boto, o cor-de-rosa, possui a nadadeira dorsal bem proeminente e triangular o que já é o suficiente para diferenciá-los. Nas águas costeiras pode ser confundido com o outro boto, da espécie de água salgada que é o Franciscana e quando adultos, podem ser confundidos com os golfinhos nariz de garrafa (flipper), porém, a cauda do Tucuxi é bem diferente - não é tão curva como a dos demais.  Um dos menores cetáceos, é um animal robusto com um bico alongado, porém é menor do que os outros botos. O dorso é meio azul-acinzentado, mudando a cor para um esbranquiçado dos lados e embaixo do corpo, tornando-se rosado bem claro. Entre os olhos e as nadadeiras frontais há uma lista escura e ainda outra, mais fina, que fica entre esses nadadeiras e a cauda, a qual é menor e mais reta do que a dos golfinhos comuns. Mede de 1,6 a 1,9 metros com pesos que variam de 35 a 40 quilos. Vivem em bandos de até 25 indivíduos mas o número de uma família de Tucuxis normalmente chega até 10 indivíduos. Preferem canais de rios profundos e águas da costeira ao redor.

Tucuxi Boto-Cor-de-Rosa Toninha (Franciscana)

Boto Cor-De-Rosa  (Inia Geofrensis)

É o maior boto das águas fluviais. Os Botos - cor-de-rosa possuem o corpo inteiro completamente maleável ao contrário de seus primos de água salgada. Mexem a cabeça e viram-na de um lado para outro. Seu bico é mais comprido do que os dos outros golfinhos, talvez para poder colocá-lo entre as folhagens e galhos das florestas inundadas nas épocas das cheias que ocorrem de dezembro a junho, quando abandonam os rios principais e se aventuram pelos canais na floresta. Quando chega a época da seca, podem ficar presos em lagos mas geralmente sobrevivem bem pois juntamente com eles ficam presos uma série de peixes. Quando voltam as  cheias, as águas voltam a subir e aí então retornam para os rios. As nadadeiras também são maiores e curvas do que as dos outros golfinhos. Possuem um bico mais protuberante e a nadadeira dorsal é um pouco diferente daquelas dos golfinhos comuns, pois é menos desenvolvida, parecendo uma corcova. Cinzas no dorso, o ventre é cinza bem claro meio rosado. Adultos chegam a pesar até 160 quilos, medindo 2,6 metros de comprimento. Alimenta-se de pequenos peixes e outros de tamanho médio.

Seu habitat principal, a Amazônia, era na realidade um mar interno ao norte da América do Sul. Com a elevação das terras acima do nível do mar aos poucos, durante séculos, a vida marinha que ali existia ficou isolada do oceano e foi se adaptando às condições da região, até que o mar acabou por separar-se por completo da terra e as águas, de salgadas, foram alimentadas aos poucos pelos rios, tornando-se doces. Toda a vida aquática do local parece ser o correspondente de água doce daquilo que existe no mar. Até mesmo camarões (pitús)  e arraias podem ser achadas no rios. Alguns são barrentos ou de água escura, cor de chá, mas muitos são de águas tão claras e transparentes que se acreditaria estar flutuando em meio ao ar.

Boto ou Toninha (Franciscana - Pontoporia Blainvillei)

O Boto de água salgada, Franciscana, também é muito conhecido como Toninha. Costumavam freqüentar todo o litoral sul de São Paulo nos anos 50/60, mas hoje em dia, na região de Itanhaém, fazem aparições tão somente fora da costa. Atualmente parecem preferir locais de mar mais fechado, aparecendo mais frequentemente em Superagui no Paraná, Cananéia, e mais comumente em Ubatuba, Paraty e Angra dos Reis, nos meses de verão, por serem locais que possuem baías abrigadas. Possui um bico longo, comprido, que cresce com a idade. A nadadeira dorsal é pequena e triangular, as nadadeiras são planas e quase triangulares também. São menos "dados" que os golfinhos nariz de garrafa mas quando estão em bandos dão um grande espetáculo nas águas do mar. Andam em bandos de 5 a mais de 30 indivíduos. A baía de Paraty é um dos locais preferidos desses botos. A cor do corpo é acinzentada no dorso ficando mais mais clara dos lados e no ventre. Mede de 1,3 a 1,7 metros pesando de 30 a 53 quilos. Antigamente, vez ou outra eram encontrados mortos, ao longo da praia do Peruíbe, afogados nas redes dos pescadores.

Boto Sotalia Guianensis Cardume Grande Fazendo a Festa Escuna: Interferência Humana

Boto Cinza (Sotalia Guianensis)

É um dos menores representantes da família Delphinidae. Mede entre 1,80 e 2,10 metros de comprimento. ë a mais comum do Litoral Brasileiro. Possui um aspecto parecido com o da Toninha, a coloração é cinza no dorso e branco rosado na região do ventre. Ele é mais parecido com o Golfinho nariz de Garrafa do que a Toninha que tem um bico mais alongado. A expectativa de vida é de até 30 anos de idade. A gestação dura 12 meses e o período de aleitamento se prolonga por um ano. Sua alimentação preferida são peixes como a sardinha, parati e robalo. Trata-se de uma espécie sob grande pressão antrópica (causada pela ocupação humana na área), segundo o Plano de Ação dos Mamíferos Aquáticos do Brasil, divulgado em 2001 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Vive em grandes cardumes em Sepetiba (Litoral Sul Fluminense), com um número de indivíduos estimado entre 500 e 1.000 animais. É também encontrado no Litoral Norte de São Paulo (Ubatuba, Trindade e Costas dos Morros do Cairuçu, Paraty e especialmente Sepetiba, como já explicado). Esta espécie ocupa o Oceano Atlântico na América Central em Honduras até Santa Catarina aqui no Sul do Brasil. Fonte: OESP.

Peixe Porco (Porpoise ou Marsuíno)

Peixe porco ou Marsuíno, como o próprio nome diz, suíno do mar, Marsuíno, ou ainda Porpoise, é a designação erroneamente dada a mamíferos marinhos, no caso, golfinhos pequenos, os quais não possuem um bico alongado como o golfinho comum ou o Boto Oceânico (Toninha). São os menores cetáceos dentre todos os outros. A boca é rasgada na fronte, semelhante a do atum (que é um peixe). Alguns exemplos de Marsuínos são a Vaquita (coloração cinza amarronzada) e o Golfinho de Héctor (escuro com manchas esbranquiçadas). Alguns correm risco de extinção, como a Vaquita na Califórnia do Sul, no México. Infelizmente, restam apenas acerca de 300 Vaquitas no mundo. São animais pequenos e indefesos e que sofrem ao morrerem afogados em redes; as perspectivas para a espécie da Vaquita não são das melhores, em breve poderão estar extintas. Os Marsuínos são animais gregários de 1,50 a 2,40 metros de comprimento, anelados no dorso e esbranquiçados no ventre. Muito ágeis, costumam acompanhar os navios (ver o artigo sobre Jean de Léry e os Marsuínos).

Vaquita - Ilustração Vaquita - Califórnia do Sul Vaquita e filhote - Ilustração

Os Platanistas

Beiji  (Lipotes Vexillifer) e Peixe Porco (Porpoise) sem Nadadeira

Platanistas são os botos dos países do oriente. O nome genérico Platanista, foi dado por Plínio, historiador da antiguidade. Freqüentam as águas dos rios Iang-Tsé na China assim como o Indo e o Ganges na Índia. O platanista chinês corre sério risco de extinção. Seu número caiu de 6.000 nos anos 50 para 400 indivíduos em 1984. Hoje restam apenas 5 e correm gravíssimo risco de extinção. Uma vez que desaparecerem, desaparecerá um legado e uma história que jamais poderá ser recuperada. É conhecido também como Beiji ou Baiji, e vive até 1.500 km rumo ao interior, no Iang-Tsé. Divide seu habitat com outro boto mais misterioso, chamado de peixe-porco sem nadadeira (finless porpoise) que como o próprio nome diz não possui uma nadadeira no dorso e não tem um bico alongado, parecendo-se com a já descrita vaquita. Vivia em grupos de 3 a 5 indivíduos mas já foram observados grupos de 10. São muito tímidos quando há barcos no rio e por isso sua observação é muito difícil ainda mais agora com seu número quase nulo. Esperamos sinceramente que algo esteja sendo feito para salvá-los.

Platanista da China - Beiji Platanista do Ganges Platanista do Indus

Boto do Ganges (Platanista Gangetica)

Possui um longo bico que se alarga quando chega na ponta, deixando amostra os dentes. A boca faz uma curva acentuada para cima, o corpo é gordo com uma barriga protuberante e redonda, as nadadeiras são largas e achatadas, uma corcova substitui a nadadeira dorsal. A cabeça é protuberante e o respirador fica do lado esquerdo da cabeça sobre o pequeno olho, quase cego. A nadadeira da cauda mantém proporção com o resto do corpo. O dorso é cinza e as vezes barriga é rosada. Medem de 1,5 a 2,5 metros de comprimento e pesam até 90 quilos. O outro único golfinho que habita o rio é o Irrawaddy que não possui um bico. Se alimentam de peixes, crustáceos e pequenas tartarugas. São conhecidos também por se alimentarem de pequenos pássaros d'água.

Viajam a sós ou em duplas. Como não possuem olhos com visão apurada, podem apenas detectar a direção e a existência da luz. A navegação contudo, é orientada pelo sofisticado sistema de eco-locação. A fraqueza da visão talvez explique porque esses golfinhos nadem com um dos lados para dentro d'água; com uma das nadadeiras vasculhando o fundo lamacento, eles captam informações sobre as adjacências que os ajuda a encontrar comida. Seu número atual gira em torno de 4.000 a 6.000 indivíduos mas também corre risco de extinção. São capturados acidentalmente em redes e deliberadamente por tribos ignorantes do Bramahputra para servirem de alimento, isca e suprimento de óleo.

Boto do Indo (Indus) (Platanista Minor)

É o único boto que vive no rio Indo, também conhecido como Hindus. Viajam a sós ou em duplas nas águas cuja temperatura varia de 8º a 33º C. Vasculham o fundo com uma das nadadeiras como seu parente do Rio Ganges e seu respiradouro também localiza-se à esquerda sobre a cabeça. Não estão totalmente protegidos por legislação como de fato deveriam.

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Nota: as imagens aqui apresentadas são apenas ilustrativas e não estão disponíveis para download.

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